Será que existe algo mais emocional do que optar por ser racional, por medo de errar novamente? E o que é mais racional do que permitir que essa emoção guie cada um dos nossos passos? Às vezes são tão altas as vozes de fora, que a gente acaba não ouvindo o peito gritando. O meu peito é que gritou alto demais, calando as vozes de fora. Epifania. Compreensão súbita. Era como se estivesse tua imagem estampada em tudo que vejo. E aquela presença permanente no meu pensamento me fez percorrer a extenuante e perigosa trilha que me leva de encontro a ti.
A gente pensa que, com o passar do tempo, aprendemos a pular as rasteiras que nos são passadas. Digo, por experiência própria, que existem tombos que eu adoraria tomar de novo. Me via novamente ansiosa. Tão ansiosa que passei a olhar pros lados, sempre achando ser a tua voz qualquer ruído que me atingisse os tímpanos. As vezes em que acertei são minoria, mas eu aprendi demais, justamente por errar demais.( ou não….).
Os minutos que a gente tem juntos viram dias e semanas em câmera lenta, dentro da minha cabeça, toda vez que eles me levam de você. Meu coração está vazio, sem mobília. Mas tudo que eu preciso agora é de espaço pra te construir dentro do meu peito, com as poucas peças que tenho em mãos.(e eu já fiz isso, de tal forma que agora não consigo mais te tirar dele) já se tornou permanente como essas letras que tenho rabiscada na minha mão esquerda.
Eu aguento. Basta que feche os meus olhos e dê play numas poucas horas de filme, e uma mísera foto sem resolução no meu mural. Cá estou eu, perdendo o controle, de novo.
Tudo acontecia devagar. Tudo que ele fazia parecia, aos meus olhos, acontecer em câmera lenta. Como se fizéssemos amor debaixo d’água.
Nada mudou: continua tudo mudando a todo minuto.
A dor no peito daqueles que tiveram medo é infinitamente maior que a dor de quem tentou e caiu.
Digo isso por experiência própria, só deus sabe oque perdi por medo por vergonha. E viver com o arrependimento pro resto da vida não é óptimo.
Mas eu não mudo ME MUDA.
Enfim….
Na mosca, guri. Na mosca.
É sua, aquela silhueta turva dois quarteirões adiante?
Por quê sozinho?
Seria apenas na minha cabeça?
Tenho acordado de sonho nenhum, tenho dormido apenas pra ver se paro de sonhar…
… pra variar.
E é tão real, o pesadelo de perder o discernimento pra sempre.
Meus pensamentos são como um farol que não consegue se esconder na praia deserta. Ele sempre estará lá, ao alcance dos teus olhos, te impedindo de naufragar em mim. E não há nada capaz de me apagar.
Só queria, por meia-hora que fosse, me ver diluída no horizonte de uma noite qualquer. Uma dessas em que tu vagas por aí sozinho, trocando pernas, balbuciando impropérios ao vento. E ter o que eu sinto invisível aos teus olhos. Por meia-hora que fosse, te fazer me querer sentir na meia-hora seguinte.
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