segunda-feira, 15 de novembro de 2021

grande dia.

Fiz contagem regressiva. Inúmeras vezes, aliás. Riscava o calendário contando quantos dias faltavam para o GRANDE DIA. Sorrateiramente ele se aproximava,  cada vez mais. Chegou mais tranquilo com a ajuda do ansiolítico da noite anterior. Frio na barriga e uma sucessão de minutos intermináveis.

Assim, meio sem ver, passei por ele como quem engole com pressa. Aquela primeira garfada da comida quente demais. O grande dia acabou se tornando nada mais do que uma menção simbólica, porque do grande não teve. Eu que pensei que fosse saltar capítos à frente, e que fosse mudar, que fosse me ver mudar, que assim acompanhasse a expressão dos olhares direcionados à mim mudarem também. Não.

Eu quis recomeçar. Agora me faltam subterfúgios.

sábado, 13 de novembro de 2021

apenas lembranças

seu casaco longo sobre as mãos, aquele seio que não cresceu mais, as corridas de bicicleta em primavera, o vento que carregava o seu perfume… desde então, só fotografias. e assim, distantes, nós ainda pensamos em nós. lembranças daquele dia, do primeiro beijo, mas não é justo pensar nisso essa noite enquanto o seu coração já tem uma nova batida.
nunca diga à ela que nós estivemos na cama por um dia inteiro, o medo daquele temporal e como nos abraçávamos. os nossos dedos entre nossos cabelos e os olhos imaginando umáa. filho, que você desenhava até seu perfil e depois rasgava o papel.

de novo

Pensei que me tornaria cética, que teria preguiça, achei que fosse voltar a me fechar. Eu errei.

De páginas rasuradas, escritas com um milhão de cores, sou um livro aberto. Não sei arrancar uma só folha, o que não significa que algum dia eu volte a olhar o que me retrocede.

Sinto como se existissem trechos escritos em algum idioma arcaico que ninguém mais sabe ler. Tive receio que ninguém realmente quisesse sabê-lo.

Errei de novo.