Fiz contagem regressiva. Inúmeras vezes, aliás. Riscava o calendário contando quantos dias faltavam para o GRANDE DIA. Sorrateiramente ele se aproximava, cada vez mais. Chegou mais tranquilo com a ajuda do ansiolítico da noite anterior. Frio na barriga e uma sucessão de minutos intermináveis.
Assim, meio sem ver, passei por ele como quem engole com pressa. Aquela primeira garfada da comida quente demais. O grande dia acabou se tornando nada mais do que uma menção simbólica, porque do grande não teve. Eu que pensei que fosse saltar capítos à frente, e que fosse mudar, que fosse me ver mudar, que assim acompanhasse a expressão dos olhares direcionados à mim mudarem também. Não.
Eu quis recomeçar. Agora me faltam subterfúgios.