Os segundos em que hesitamos, em que fitamos o piso e nossa boca, escancarada, não emite som algum, são justamente o tempo necessário para que transformemos pensamentos em palavras. E nem todo pensamento tem uma palavra feita pra ele. É aí que transformamos dúvidas genuínas em falsas verdades (ou verdades bonitas demais), e essa troca de olhares com as lajotas se faz necessária para que façamos dentro de nossa cabeça todo tipo de simulações.
Eu sempre gostei muito mais das dúvidas. Nenhuma palavra me aterroriza mais do que “sempre”. Ela foi inventada por gente que nunca tentou perceber o que se esconde além da curvatura da terra. Certamente os pássaros não a possuem em seu vocabulário. É por isso que eu fico pulando, em movimentos desastrados, tentando ver o que há além do meu horizonte. E essa (in)certeza quanto ao que me espera na próxima esquina é o que me faz caminhar.
Às vezes me pego sabotando a mim mesma, plantando provas, tudo pra me incriminar. Tudo para estabelecer em mim o meu estado natural, de eterna confusão.
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