Volta e meia ela me visitava, vinha sempre sozinha e faminta. Quando eu menos esperava
Lá estava ela com seus olhos doce cor de mel a me olhar pela janela.
Seus olhos me chamavam, pediam ajuda, me acariciava até eu dormi e sumia como o sol no horizonte de tardezinha. Ela sempre me contava historias. Da onde vinha e como lá era lindo. Embora às vezes faltava –lhe comida amor e compreensão, as vezes me contava historias de monstros, como da vez que fora seguida por um moço.. Ela me pedia abrigo, e em troca me ofereceria amor, proteção e carinho.
Eu sempre espero aqueles olhos, um dia encontrei-os junto a outros olhos, cor de chocolate, pareciam –me tão ásperos. Trouxera um amigo, que logo de cara não gostei.
Ela parecia querer me dizer algo. Olhava pra mim, olhava pra ele, para as cicatrizes que cobriam –lhe o peito.
Ela me contou o motivo das cicatrizes. Foi um moço na infância…
QUE CRUELDADE!
Eu ainda não entendia o motivo de tanto desespero, porque os olhos dela percorriam todo o quarto e meu rosto afim de que estivesse o memorizado. Eu não entendia o motivo de tudo aquilo. Oque ele fazia ali? Porque ela trouxe ele? Achei que nossa amizade fosse um segredo.
É claro, como eu não percebi…
Era ele o monstro, o moço, o cara que perseguia. Tinha chegado sua hora, ela queria se despedir… Abraçou-me firme e forte. Uma lagrima, nem sabia que podia chorar. Ela beijou-me a testa deitou – me na cama me cobriu, contou-me uma ultima historia e quando a luz se apagou ela se fora.
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