terça-feira, 13 de agosto de 2013

Inacreditável.

 Primeira coisa que notavam no meu namorado era a aparência. Alto, moreno, com um sorriso reconfortante que parecia não esconder nada: aquele tipo de beleza fácil que não pode ser estragada pela tensão ou por doença, como algo feito de ouro, de modo que mesmo se você o entortasse ou fundisse, permaneceria sempre puro e belo. era assim que eu o via, desde quando o conheci. Mas não era só eu; era assim que todos o  viam.
A beleza é uma lente que distorce. Ele tinha aquele tipo de fisionomia que é sempre recebido com sorrisos e apertos de mão, olhadelas extras, olhares que duravam um instante além do normal; um sorriso e um rosto que não eram esquecidos com facilidade. Até a forma como ele segurava minha mão, ou como se inclinava para amarrar o sapato, tinha uma certa graça, que fazia com que as pessoas queiram esboçá-lo. Que forma mais torta e confusa de se viver?. Receber ofertas de empregos, caronas e bebidas de graça – “É por conta da casa, querido” – sentir o ambiente mudar enquanto o atravessa. Ser observado em qualquer lugar a que se vá. Ser alguém que as pessoas anseiam por possuir, e estar habituado a tal sensação; ser desejado tão imediatamente, com tanta frequência, que a própria pessoa nunca soube o que ela mesma talvez desejasse.
























(E o mais incrível é que  era meu.)

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